Num texto anterior defendi que o espaço político é melhor caracterizado quando desdobrado segundo 5 eixos principais (o que infelizmente dificulta a sua visualização). Mas serão as opções políticas associadas a cada um destes 5 eixos realmente independentes? Se tal fosse verdade, seria de esperar que as pessoas se distribuiriam, em função das suas posições políticas, de modo aleatório pelo espaço 5-dimensional, ou seja, não haveria correlações entre as opções políticas segundo cada um dos 5 eixos. No entanto, acho que essas correlações existem. No contexto da Democracia Directa, importa perceber que opções políticas estão correlacionadas com a sua defesa. Pelo simples facto de um sistema político fiel aos princípios da Democracia Directa diminuir significativamente o poder daqueles que pretendem chegar ou manter o poder pela via política, ou seja os que são hoje designados por políticos, é óbvia a principal razão pela qual as suas propostas de reforma do funcionamento do sistema político são de impacto pouco significativo, não mexendo nos fundamentos do sistema de Democracia Representativa que possuímos. De outro modo perderiam grande parte do poder que possuem ou ambicionam possuir. Como colocar então a Democracia Directa na agenda política? Na minha opinião, inicialmente identificando quem, confrontado com os sinais cada vez mais claros da falência do modelo de Democracia Representativa, menos resistências coloque à partida à incorporação progressiva de mecanismos de Democracia Directa no sistema político. Em seguida, é preciso obter o seu apoio activo, demonstrando que essa via é a única capaz de conciliar os fundamentos de liberdade e participação a que todos os cidadãos aspiram, e cuja desrespeito está na origem da alienação política que actualmente existe. Onde se encontram então estas pessoas com maior predisposição para apoiar a Democracia Directa? Será possível prever como é que alguém se colocaria ao longo do eixo no espaço político associado à importância atribuída à inclusão de mecanismos de Democracia Directa, ou Participativa, na tomada de decisões em sociedade, nomeadamente a nível político, apenas sabendo o modo como essa pessoa se define segundo os outros 4 eixos fundamentais?
Se cada um dos 4 eixos principais sob consideração for dividido em duas posições antagónicas, no limite polarizadas nos dois extremos associados a cada eixo, podemos então identificar 16 combinações possíveis dessas posições. Destas 16 combinações, nem todas têm existência real. Em particular, a oposição a que o Estado possa exercer violência sobre os cidadãos para os obrigar a respeitar as suas regras, ou mesmo o pacifismo de princípio, não são posições compatíveis com algumas das 8 combinações que resultam de se considerar os extremos associados aos outros 3 eixos. Deste modo, torna-se mais eficiente começar por fazer uma re-análise de cada uma destas 8 combinações, ou seja da Vosem Chart, e no processo considerar em que medida aqueles que se revêm em cada uma dessas combinações genericamente se opõem ao uso da violência pelo Estado e/ou apoiam os princípios da Democracia Directa. Para um melhor acompanhamento da discussão vamos associar a cada uma das 8 combinações um código de três algarismos que separadamente, e por esta ordem, significam: liberdade na conduta pessoal - sim (1) não (0); regulação da economia pelo Estado para promover a diversidade e defender os que menos poder possuem - sim (1) não (0); política fiscal re-distributiva - sim (1) não (0). Geralmente, aqueles que se revêm nas combinações em que pelo menos dois 0 estão presentes, identificam-se como sendo de Direita, enquanto que consideram-se de Esquerda os que têm uma posição política próxima de uma combinação que inclua pelo menos dois 1. Vamos assim primeiro analisar as combinações ou posições políticas identificadas com a Direita, e depois as associadas à Esquerda.